quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Análise - Marvel's Spider-Man (PS4)

A Insomniac Games lançou-se na sua primeira aventura de jogos licenciados com o Marvel's Spider-Man, e na minha modesta opinião, esta incursão não podia ter começado melhor.


Desenganem-se se acham que só vou falar maravilhas do jogo, não se deixem enganar pela frase inicial da análise. Este jogo tem alguns problemas mas, no meio do maravilhoso mundo de Nova Iorque construído pela Insomniac, são quase residuais. Mas uma coisa de cada vez.

Primeiro falemos na história. E embora estejamos a falar num jogo, podíamos perfeitamente estar a falar num filme do Marvel Cinematic Universe, já que a forma como o  jogo se desenrola, temos a sensação de estar a assistir a uma (bem) longa metragem do Aranhiço. A sério, até as cenas de pós-créditos e a habitual cameo do Stan Lee temos e tudo!

Stan Lee, co-criador de Spider-Man, numa cameo no jogo | Foto: GeekStorm
Para quem é fã do Homem-Aranha, entrar neste mundo não será em nada estranho. Aliás, este jogo é mesmo feito de fãs para fãs, já que a história de origem do Trepador de Paredes não está presente no jogo, muito pelo contrário: Peter Parker já anda a servir de herói que balança entre os arranha-céus de Nova Iorque há já quase uma década. E essa vasta experiência traduz-se até mesmo no tutorial, já que começamos a aprender as mecânicas de jogo enquanto deitamos abaixo o império do Kingpin.

Com Wilson Fisk preso, o vácuo deixado pela sua ausência começa a ser ocupada pela organização dos Demónios, liderada pelo Mister Negative, que nos é apresentado no início do título como o filantropo Martin Lee, patrão da Tia May. O objetivo do Mister Negative é vingar-se do Presidente da Camara, Normal Osborn, a quem culpabiliza pelas desgraças da sua vida.

Martin Lee, o Mister Negative, um dos vilões deste jogo | Foto: Gizmodo
A história vai avançando com a história de origem do Doctor Octopus, vilão que se vai transformando à frente dos nossos olhos à medida que vamos avançando nas missões principais. A história de Otto Octavious torna-se ainda mais dramática, uma vez que ao longo do jogo somos obrigados a ir ajudando a criar os característicos braços mecânicos da personagem.

Otto Octavius, o Dr. Octopus, a mente por trás dos Seis Sinistros | Foto: Digital Trends
A progressão vai-nos permitindo ver que tudo o que está a acontecer é originado por profundos ódios a Normal Osborn que, mesmo não sendo a personagem mais afável no jogo, conseguimos sentir empatia com ele. Aliás, isso não acontece só com ele: todos os vilões deste jogo estão de tal maneira bem construídos e com as histórias de fundo tão bem trabalhadas que é impossível odiar as motivações de cada um. Exceto o Scorpion, esse só que é dinheiro!

A história é consistente e vai-se "renovando" de tempos a tempos, sendo que no final ficamos com a sensação de que todas as dúvidas que se foram levantando, ficaram respondidas. Elementos como a história paralela do Miles Morales e do relacionamento entre Peter Parker e Mary Jane Watson vão sendo introduzidas aqui e ali, de forma a deixar a progressão respirar sem que o foco seja sempre em dar no canastro dos maus da fita.

O relacionamento entre Peter Parker e Mary Jane é tema abordado na história do jogo | Foto: GeekStorm
A jogabilidade é descomplicada, pelo menos em grande parte do jogo. Balançar de teia em teia é super simples: basta carregar num botão e a consola faz tudo por nós. Isso pode parecer algo negativo, mas muito pelo contrário. Em vez de estarmos preocupados em apontar as teias para pontos específicos, o que temos é a despreocupação de andarmos a passear pelos céus da cidade, sempre à procura de maior dinâmica e velocidade.

No combate, há apenas 4 aspetos que temos de saber: atacar, puxar, desviar e atirar teias. Embora só haja estas 4 funções, ao longo do jogo vamos desbloqueando varias habilidades e movimentos que vão tornando as batalhas muito mais dinâmicas e intensas, mas como vamos aprendendo aos poucos estes novos movimentos, tornam-se extremamente naturais quando os queremos utilizar.

Miles Morales é uma das personagens jogáveis deste título | Foto: PlayStation
Durante a gameplay, apenas há 2 tipos de sequências que soam a repetitivas e desnecessárias, que apenas servem para quebrar o ritmo de jogo: os momentos em que controlamos a MJ ou o Miles. Nestes momentos, temos que andar a esquivar-nos constantemente de inimigos, sem que estes nos vejam. No entanto, nem sempre o comportamento dos NPC's é linear, sendo que umas vezes nos detetam quando estamos a passar bem despercebidos e noutras ocasiões em que passamos mesmo em frente aos seus olhos, parece que estamos a utilizar o Manto de Invisibilidade.

Graficamente, não é possível apontar defeitos a este jogo. Embora esteja otimizado para a PS4 Pro, o jogo não sofre a correr numa PlayStation 4 tradicional, não apresentando quebras na framerate nem baixa de qualidade em nenhum momento. Apenas a apontar a água que é mostrada a correr (não, não estou a falar nas polémicas poças de água) poderiam ter uma textura mais trabalhada, num dos momentos do jogo, durante uma cutscene, quase que parece um monte de teias a serem libertados e não água a jorrar duma boca de incêndio. Os diferentes fatos que podemos desbloquear do Spider-Man estão bem trabalhados, com muitos detalhes e o mais correto possível.

Graficamente apelativo, mas sem grandes surpresas | Foto: PlayStation
Marvel's Spider-Man pode bem ser uma verdadeira obra de arte da Insomniac. É um hino aos fãs de Spider-Man, que se foca na história e no lore do Aranhiço, mas sem medo de inovar e arriscar um caminho próprio.
A introdução da personagem da Yuri Watanabe foi uma lufada de ar fresco e uma excelente forma de ajudar na progressão da história. Apesar de aparecer apenas 2 vezes ao longo do jogo, conseguimos criar uma ligação afetiva com ela.

Mas nem tudo são rosas. Para além do problema de jogabilidade já referido, questões com alguns bugs também prejudicam o título. Por exemplo, os inimigos não chegarem a sair dos edifícios, ficando perpétuamente presos atrás das portas ou paredes, podem prejudicar as missões, obrigando a algumas habilidades para os tentar derrotar, sob penalização de não conseguir progredir decentemente no jogo, ou até a ter que recomeçar a missão.

Outro problema que aponto, é para o facto do bloqueio da linguagem. Senti isso especialmente na pele, por ter comprado a Edição de Colecionador. Incrivelmente, esta edição veio com o jogo em Inglês, ao invés da versão Portuguesa. Isto não seria problemático, caso o jogo permitisse que a linguagem fosse alterada, mas esse não é o caso. Vi-me obrigado a contactar a loja onde comprei para poder ter um disco da versão portuguesa e, assim que a tive, vi-me forçado a recomeçar o jogo, pois as diferentes línguas não são compatíveis uma com a outra. Para a maioria das pessoas, este não terá sido um problema, mas para quem gastou mais dinheiro pela edição de colecionador e viu-se a braços com esta questão, é algo que a Sony deveria tentar garantir que não volta a acontecer.

Análise feita com base num disco final do jogo, adquirida através da Edição de Colecionador
Nota: 9 Spider-Emojis em 10 Spider-Emojis.

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