quinta-feira, 23 de maio de 2019

Crítica: Aladdin (2019)

A primeira memória que tenho duma sala de cinema já vai longe, mas tão clara como se tivesse sido ontem: fui ver o clássico de animação da Disney, Aladdin. Hoje, 27 anos depois, sento-me pela primeira vez numa cadeira duma sala IMAX para ver a adaptação em live action desse mesmo filme. Pode-se dizer que é o fechar de um ciclo! Obrigado à NOS por essa oportunidade.


Dizem que nunca nos esquecemos do nosso primeiro, e como a sabedoria popular está sempre certa, durante esta crítica, vai ser inevitável trazer a fonte de inspiração deste filme à baila. Aliás, estas adaptações live action da Disney quase que imploram para serem comparadas com os clássicos de animação, por isso vou apenas satisfazer essa vontade! Ah, e se não apreciam spoilers (na eventualidade de ainda não conhecerem a história), estejam descansados que aqui navegam em águas calmas.

Já vem sendo tradição (sim, estas adaptações já são tradição) estes filmes em vida real irem beber muito ao seu material de inspiração e Aladdin não é exceção. Para quem conhece o filme de 1992, esta longa-metragem para além de ganhar um novo encanto, vai despertar no espectador um conjunto incessante de vontades: de esperar por falas e cenas específicas, bem como dos momentos musicais. Mas se a vossa intenção é levarem os mais novos à sala de cinema e eles nunca viram o filme animado, então descansem, pois ninguém fica mal servido com este filme.

Jasmine (Naomi Scott) e Aladdin (Mena Massoud) | Foto: Disney
Tal como acontece no original, encontramos o Génio no arranque do filme que serve de narrador para a história. As personagens e o  enredo vão-nos sendo apresentados e ficamos com a sensação que o filme nos está a tentar despachar, misturando cenas que não estão juntas no clássico, mas que aqui funcionam muito bem em conjunto. Aliás, o filme faz por ir misturando algumas cenas da sua fonte de inspiração para poder dar espaço a novas cenas para que o enredo não fique demasiado forçado ou aborrecido.

Génio (Will Smith) e Aladdin | Foto: Disney 
As personagens estão com as suas personalidades inalteradas... Ou quase! Se o Aladdin e a Jasmine estão no ponto (continuam os aventureiros rebeldes que os distinguem dos demais) e o Génio está cómico e irreverente como sempre (não é Génio do Robin Williams, mas Will Smith faz justiça ao papel) o mesmo já não se pode dizer de Jafar. No clássico de animação, o vilão é sádico, convicto, sem escrúpulos e frio; nesta adaptação ficou um pouco mais mole o que, na minha opinião, o descaracterizou. Aliás, esse é um dos poucos pontes negativos que acho digno de nota no filme e acaba por prejudicar um pouco o final: aquela batalha épica que temos no filme animado que chega a tornar-se sufocante e incómoda ao espectador, nesta adaptação está muito mais leviana e até um pouco apressada.

Jafar (Marwan Kenzari) | Foto: Disney


As prestações dos atores não têm nada a ser apontadas, no entanto. Mena Massoud interpreta um Aladdin digno e com charme e Naomi Scott trouxe a princesa Jasmine à vida na perfeição. Nesta longa metragem, Jasmine ganha um papel mais preponderante que no seu antecessor, seguindo a onda do politicamente correto e procurando dar destaque e poder às mulheres, mas contrariamente ao que acontece noutros filmes, este destaque nunca parece forçado. Pelo contrário, até parece encaixar muito bem com as ambições e personalidade da personagem. Will Smith, como já referi, não é o saudoso Robin Williams, mas faz justiça ao carisma e à comédia que a personagem exige. Só tive pena que, como aconteceu no original, o Génio neste filme não tivesse mais tendência a quebrar a quarta parede e falar para o público ou fazer referências à cultura pop atual. Embora a personagem Jafar esteja aquém, o ator Marwan Kenzari tem uma excelente performance enquanto vilão deste filme.

Caverna das Maravilhas | Foto: Disney
Não nos podemos esquecer que este filme, como muitos outros da Disney, é um musical! As interpretações dos clássicos como Arabian Nights, Friend Like Me e A Whole New World estão simplesmente incríveis. Não só as interpretações estão bem conseguidas com um fino equilíbrio entre a música original e um tom moderno como as coreografias estão estrondosamente bem trabalhadas. Então ver a música Prince Ali ser interpretada com centenas de bailarinos a passear pela cidade até aos portões do Palácio, é quase impossível de conter a vontade de saltar da cadeira e dançar na sala de cinema. Preparem-se para uma nova música, interpretada pela Jasmine: Speechless. A música faz sentido dentro da narrativa do filme, no entanto, no que a estilo diz respeito, perece estar um pouco "fora".

A Whole New World | Foto: Disney
Quando o primeiro trailer do filme saiu e as pessoas viram o Génio pela primeira vez, muitos criticaram o aspeto dos efeitos especiais do filme. Tenho que vos dizer que na altura achei também um pouco estranho, mas nunca fiz parte do lote dos que odiaram. No entanto, agora na versão final do filme, sou obrigado a dizer o seguinte: o CGI está bom! O Génio já não parece tão estranho quanto no trailer (ainda parece um pouco estrenho no início, mas isso é porque o cérebro está sempre a interpretar o Will Smith como o conhecemos), sobretudo ao fim de algum tempo já nem estamos a reparar. Os personagens animais como o Rajá, Iago e Abu estão muito bem trabalhados e nunca parecem forçados. E o Tapete e todas as cenas que o envolvem estão extremamente bem conseguidas. Parabéns à equipa que trabalhos nos efeitos visuais do filme.

Aladdin e a Lâmpada Mágica | Foto: Disney
Em vez de terminar esta crítica com considerações finais, vou antes mater-me no espírito do filme, esfregar a Lâmpada Mágica e pedir 3 desejos ao Génio:

  1. Desejo que a Disney não deixe nunca de se empenhar quando faz estas adaptações live action de clássicos de animação. Aladdin está um excelente filme por ter sido fiel em quase todos os aspetos e nos que falhou, tornou o filme menos intenso.
  2. Desejo que sempre que criem novas músicas para os filmes, procurem fazer com que encaixe o melhor possível com os temas originais. Embora Speechless seja um excelente tema para a demanda da Jasmine, o estilo da música destoou um pouco das restantes.
  3. Desejo que todos os espectadores se divirtam com um excelente filme. Aladdin é um excelente filme, seja a novidade ou a nostalgia que vos leve à sala de cinema. Disfrutem

Agradecimento especial à NOS pelo convite. Crítica feita com base num visionamento do filme em IMAX nos cinemas NOS Mar Shopping.

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