Full width home advertisement

Críticas de Cinema

Destaques Tecnologia

Post Page Advertisement [Top]

A Devolver Digital já é conhecida pelo seu estilo peculiar, e este jogo encaixa que nem uma luva no imaginário que temos do estúdio. Imaginem um jogo de terror... Só que ao contrário! É talvez a forma mais simples de descrever Carrion!


Mas talvez o melhor seja mesmo ser um pouco mais específico! Afinal de contas, dizer que é um "jogo de terror invertido" é apenas algo vago e com pouco profundidade. Normalmente, em jogos de terror, somos convidados a vestir o papel do herói que enfrenta os monstros, mas neste dizemos que é invertido, já que somos colocados no papel do monstro que quer devorar os humanos!

Desenvolvido pela Phobia Game Studio, Carrion apresenta-nos uma história que já vimos aplicada vezes e vezes sem conta: uma experiência que correu mal deixou um monstro amorfo e com poderes à solta. Mas desta vez, graças ao inverter de papeis, esse monstro é o que nós controlamos, é o nosso "anti-herói", se assim preferirem chamar.

Carrion é um jogo de terror invertido em que controlamos um monstro | Fonte: Devolver Digital

Desde o início que a jogabilidade básica nos é ensinada: controlamos este monstro que se desloca e interage com os vários itens através dos seus tentáculos. O mapa é composto por inúmeras câmaras 2D e vai-se desenrolando num estilo metroidvania: mapa não-linear que se vai desvendando aos poucos e com áreas inacessíveis até se ter as habilidades certas que vamos encontrando ao longo do jogo. A progressão é conseguida através da resolução de alguns puzzles, nada de extremamente complexo. Mas como é controlar um monstro e ajudá-lo na sua missão de fuga? Curiosamente, não muito complicado!

A deslocação, como já referi, acontece através de tentáculos, que se vão esticando até conseguirem agarrar alguma superfície para usar para vos propulsionar na direção pretendida. A criatura que controlamos, apesar de amorfa, tem umas valentes dentuças que usamos para consumir os vários humanos que vamos encontrando ao longo do caminho. Isto serve para, além de criar o caos, ajudar a que ganhemos vida e no caso de já estamos numa parte mais avançada do jogo, aceder a vários poderes diferentes que nos ajudam não só na progressão no mapa, mas também para nos defendermos e atacarmos com maior eficácia.

Devorar os humanos é fundamental! | Fonte: Devolver Digital

Muitas vezes, quando enfrentamos um monstro num videojogo, damos por nós a pensar "Caramba, mas que monstro forte, como é que é suposto derrotá-lo?". Então seria de esperar que quando colocados do outro lado da barricada, os inimigos humanos não fossem um grande desafio, certo? Errado! Os inimigos não estão munidos de uma inteligência artificial super-avançada para vos combater, mas compensam pelo fantástico arsenal de armas que têm ao seus dispor que vos consome muita, mas mesmo muita vida (alguns deles até têm lança-chamas, claramente já estão numa fase final da sua gameplay!).

Normalmente ficamos contentes quando ganhamos um lança-chamas... Mas aqui não! | Fonte: Devolver Digital

Há um facto curioso que vale a pena referir! O jogo está disponível para PC, mas também para as consolas Xbox One e Nintendo Switch. E a sensação de controlar a criatura é diferente através de um rato/teclado ou com um comando. Tive a oportunidade de jogar a versão de PC e utilizei o rato e teclado para começar e depois usei um comando de Xbox. E devo dizer-vos o seguinte: quem joga com um comando, tem uma experiência muito mais fácil! A movimentação normal no PC usa o rato para apontarmos a direção pretendida, seguido de um clique com o botão esquerdo para nos movermos, ou com o direito para movermos a nossa zona de ação com os tentáculos. Essas ações não podem acontecer em simultâneo, algo que conseguimos fazer se usarmos um comando para jogar: o joystick esquerdo move a personagem e o direito move a zona de ação. Aí, podemos fazer coisas em simultâneo que a jogabilidade básica de PC simplesmente não permite. Fica a nota!

Cuidado com os inimigos, eles aleijam! | Fonte: Devolver Digital

Mas toda esta inovação na perspetiva e a agradável fluidez nos movimentos faz de Carrion um jogo perfeito? Não, nem por isso! Mas apesar de estar longe da perfeição, é um título que entrega mais do que se possa pensar. Do ponto de visto da narrativa no jogo, não há muito que se possa dizer. Sim, a mudança de perspetiva é interessante, mas é só isso que torna o jogo diferente. Aliás, o enredo não é propriamente muito profundo e serve apenas de motivador das nossas ações enquanto monstro, com um único objetivo em mente: fugir! Algo que também causa um pouco de confusão é a ausência de um mapa que nos sirva de guia pelas inúmeras galerias que temos de explorar. Se não forem bons com direções, é fácil perderem-se no meio de tanta exploração, e o facto de sermos obrigados a andar para a frente e para trás no mapa, poderá deixar muita gente meia confusa sobre o rumo que deve tomar a seguir.

Carrion pretende inverter as expetativas de um jogo de terror com uma abordagem diferente, mas como metroidvania, podia ter entregue mais! O potencial e carisma estão lá, simplesmente a entrega ficou aquém! Ainda assim, é possível arrancar umas boas horas de diversão deste jogo... Desde que não se percam no mapa! Damos 7 tentáculos monstruosos em 10!

Carrion: 7/10



Análise com base na versão final do jogo, disponível no serviço Xbox Game Pass para PC (Beta).

Sem comentários:

Publicar um comentário

Bottom Ad [Post Page]

| Designed by Colorlib | Edited for Geekstorm